Após um longo e rigoroso inverno, o lobo desgarrado retorna enfim à sua casa. Guiado pela luz da aurora a muito não vista, esse pobre animal segue seu caminho por entre as mais íngremes passagens em busca do calor que já não existe em seu corpo. Guiado pela vontade que arde em seu já gelado coração, em um último fio de esperança, quase esvaído, segue seu caminho.
Por entre florestas e montanhas congeladas por tal inverno, sente o frio queimar sua pele, protegida pelo seu, já não tão quente, pelo, razão de sua ainda persistente, mesmo que fraca, vida.
Ao cair da noite, sob a face pálida da lua, solta enfim seu uivo de solidão, sem ao menos uma testemunha além de sua tão branca amiga. Passando por entre as árvores grossas e altivas de sua antiga morada, vê cada minuto passar, nos quais sente cada vez menos vida em seus ossos.
Quando a luz que surge do horizonte bate em fim em seus olhos, o então fatigado lobo, sente em sua face longa uma lágrima escorrendo, pois além do sol que agora o esquenta, via também a sombra de sua matilha. Estava enfim em casa, junto com a luz do amanhecer. O lobo retorna enfim à sua casa...
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